O Dia Internacional da Mulher é uma data que sempre me faz refletir. As mulheres ganham flores, kits de presentes com café da manhã, bombons e outras guloseimas, além de roupas, beijos, abraços e alguns parabéns. Mas muitas delas, ou talvez muitos deles, se esquecem qual é o real significado deste dia - que nada tem de “comemorativo”.
Em 1857, operárias de uma fábrica de tecidos de uma cidade norte-americana fizeram uma greve e ocuparam uma fábrica para reivindicar melhores condições de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas no local e aproximadamente 130 foram carbonizadas. Somente em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher, em homenagem àquelas mulheres que morreram na fábrica. Contudo, somente em 1975 é que a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas). (Informações retiradas do site Sua Pesquisa)
É claro que a condição de mulher hoje mudou, em muitos casos, de forma drástica. Hoje conseguimos conquistar espaço no mercado de trabalho, mesmo ganhando,ainda, salários menores, e muitas já não toleram certas atitudes de seus maridos ou de qualquer outro homem.
A mulher também ainda é vítima de violência doméstica. A lei Maria da Penha tem auxiliado relativamente, mas muitas delas ainda têm medo da denunciar seus companheiros. Mas como não temer, se em muitos casos o suporte a essas mulheres é defasado? Sem considerar o fato de que a lei só reina em 12 estados brasileiros. Infelizmente em alguns quesitos, salvo algumas raras exceções, as mulheres sempre serão o sexo frágil - o que poderia até ser uma dádiva da natureza, se alguns homens não abusassem dela.
Temos que agradecer às muitas guerreiras que nos permitiram chegar até aqui - já somos chefes, responsáveis pela família e muito mais independentes. Nossas avós acham um absurdo a meninada de hoje - “muito mais soltinha” - mas tenho certeza que em muitos aspectos elas nos invejam. Aliás, podemos contar nos dedos quantas avós não vivem de aposentadoria do ex ou atual marido e sabem tarefas que não sejam as domésticas. Sempre digo: nasci na época certa. Mas tenho a esperança de que minhas filhas (se forem mulheres, claro) ou, de repente, minhas netas (mesmo caso), falarão isso com a boca muito mais cheia.
Por isso, é claro, não podemos deixar de comemorar as muitas conquistas de nossas companheiras. Mas que esse dia seja sempre um lembrete de que ainda é preciso fazer muito mais, mesmo sob o risco de se queimar.